quarta-feira, 22 de junho de 2016

A geografia do turismo no Brasil

O Brasil tem o maior potencial em turismo de natureza do mundo, de acordo com estudo do Fórum Econômico Mundial. O país registrou, em 2014, um número recorde de turistas brasileiros e estrangeiros em seus parques nacionais. De acordo com balanço do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), só no ano passado, foram quase 7,3 milhões de visitantes às unidades de conservação federais, o que inclui os parques, as florestas, as reservas biológicas e as áreas de proteção, O número representa um crescimento de 13,9% em comparação a 2013. Apenas os parques nacionais receberam quase 6,6 milhões de turistas, 10,8% a mais do que no ano anterior.

O ranking das unidades mais visitadas é liderado pelo Parque Nacional da Tijuca, com 3,1 milhões, seguido pelo Parque Nacional do Iguaçu (1,5 milhão) e pelo Parque Nacional de Jericoacoara (400 mil). De acordo com Fábio de Jesus, coordenador-geral de Uso Público e Negócios do ICMBio, os números podem ser ainda maiores, pois, em muitas unidades de conservação, o controle de entrada de visitantes é parcial, de modo que muitos visitantes entram nas unidades sem ser contabilizados.

O Ministério do Turismo informou que o órgão prepara as cidades do entorno dos parques para lidar com o aumento de visitantes, investindo em qualificação profissional, e viabiliza recursos para a infraestrutura dos parques em parceria com o ICMBio. A fim de preparar o País para atender a essa demanda, o Ministério do Turismo considera a estruturação dos parques e o aumento das visitações como prioridade estratégica do Plano Nacional do Turismo (PNT).

A procura pelo turismo de natureza é uma tendência mundial. Segundo a Organização Mundial do Turismo, a expansão do segmento está entre 15% e 25% ao ano. Os Estados Unidos, por exemplo, registram mais de 282 milhões de pessoas nos 401 sítios administrados pelo National Park Service, órgão federal responsável pelos parques americanos. Eles geraram US$ 30 bilhões de receita e 252 mil empregos com a visitação desses parques.


BOM EXEMPLO

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) é um exemplo de como o investimento em infraestrutura pode impulsionar a visitação. O recorde de público foi no ano passado, 39 mil turistas, quase 10 mil a mais do que em 2013. O resultado deve-se, segundo Carla Guaitanele, chefe da unidade, a dois fatores: deixou de ser obrigatória a presença de guias acompanhando os turistas e foi concluída uma obra de asfaltamento da rodovia que leva à Vila de São Jorge, no município de Alto Paraíso (GO), porta de entrada para a Chapada.

Outro exemplo de parque que registrou recorde de visitação é o de Itatiaia, no Rio de Janeiro. Com localização privilegiada, próximo a grandes centros emissores de turistas, como São Paulo e Rio de Janeiro, e com fácil acesso por meio de rodovias, o Parque Nacional de Itatiaia recebeu 118 mil turistas em 2014.

REDAÇÃO, COM APOIO DE GUSTAVO HENRIQUE BRAGA/ASCOM

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Globalização

A globalização é um dos termos mais frequentemente empregados para descrever a atual conjuntura do sistema capitalista e sua consolidação no mundo. Na prática, ela é vista como a total ou parcial integração entre as diferentes localidades do planeta e a maior instrumentalização proporcionada pelos sistemas de comunicação e transporte.

Mas o que é globalização exatamente?
O conceito de globalização é dado por diferentes maneiras conforme os mais diversos autores em Geografia, Ciências Sociais, Economia, Filosofia e História que se pautaram em seu estudo. Em uma tentativa de síntese, podemos dizer que a globalização é entendida como a integração com maior intensidade das relações socioespaciais em escala mundial, instrumentalizada pela conexão entre as diferentes partes do globo terrestre.
Vale lembrar, no entanto, que esse conceito não se refere simplesmente a uma ocasião ou acontecimento, mas a um processo. Isso significa dizer que a principal característica da globalização é o fato de ela estar em constante evolução e transformação, de modo que a integração mundial por ela gerada é cada vez maior ao longo do tempo.

Há um século, por exemplo, a velocidade da comunicação entre diferentes partes do planeta até existia, porém ela era muito menos rápida e eficiente que a dos dias atuais, que, por sua vez, poderá ser considerada menos eficiente em comparação com as prováveis evoluções técnicas que ocorrerão nas próximas décadas. Podemos dizer, então, que o mundo encontra-se cada dia mais globalizado.


O avanço realizado nos sistemas de comunicação e transporte, responsável pelo avanço e consolidação da globalização atual, propiciou uma integração que aconteceu de tal forma que tornou comum a expressão “aldeia global”. O termo “aldeia” faz referência a algo pequeno, onde todas as coisas estão próximas umas das outras, o que remete à ideia de que a integração mundial no meio técnico-informacional tornou o planeta metaforicamente menor.

A origem da Globalização

Não existe um total consenso sobre qual é a origem do processo de globalização. O termo em si só veio a ser elaborado a partir da década de 1980, tendo uma maior difusão após a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria. No entanto, são muitos os autores que defendem que a globalização tenha se iniciado a partir da expansão marítimo-comercial europeia, no final do século XV e início do século XVI, momento no qual o sistema capitalista iniciou sua expansão pelo mundo.
De toda forma, como já dissemos, ela foi gradativamente apresentando evoluções, recebendo incrementos substanciais com as transformações tecnológicas proporcionadas pelas três revoluções industriais. Nesse caso, cabe um destaque especial para a última delas, também chamada de Revolução Técnico-Científica-Informacional, iniciada a partir de meados do século XX e que ainda se encontra em fase de ocorrência. Nesse processo, intensificaram-se os avanços técnicos no contexto dos sistemas de informação, com destaque para a difusão dos aparelhos eletrônicos e da internet, além de uma maior evolução nos meios de transporte.
Portanto, a título de síntese, podemos considerar que, se a globalização iniciou-se há cerca de cinco séculos aproximadamente, ela consolidou-se de forma mais elaborada e desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, a partir da segunda metade do século XX em diante.



Características da globalização / aspectos positivos e negativos

Uma das características da globalização é o fato de ela se manifestar nos mais diversos campos que sustentam e compõem a sociedade: cultura, espaço geográfico, educação, política, direitos humanos, saúde e, principalmente, a economia. Dessa forma, quando uma prática cultural chinesa é vivenciada nos Estados Unidos ou quando uma manifestação tradicional africana é revivida no Brasil, temos a evidência de como as sociedades integram suas culturas, influenciando-se mutuamente.
Existem muitos autores que apontam os problemas e os aspectos negativos da globalização, embora existam muitas polêmicas e discordâncias no cerne desse debate. De toda forma, considera-se que o principal entre os problemas da globalização é uma eventual desigualdade social por ela proporcionada, em que o poder e a renda encontram-se em maior parte concentrados nas mãos de uma minoria, o que atrela a questão às contradições do capitalismo.
Além disso, acusa-se a globalização de proporcionar uma desigual forma de comunicação entre os diferentes territórios, em que culturas, valores morais, princípios educacionais e outros são reproduzidos obedecendo a uma ideologia dominante. Nesse sentido, forma-se, segundo essas opiniões, uma hegemonia em que os principais centros de poder exercem um controle ou uma maior influência sobre as regiões economicamente menos favorecidas, obliterando, assim, suas matrizes tradicionais.
Entre os aspectos positivos da globalização, é comum citar os avanços proporcionados pela evolução dos meios tecnológicos, bem como a maior difusão de conhecimento. Assim, por exemplo, se a cura para uma doença grave é descoberta no Japão, ela é rapidamente difundida (a depender do contexto social e econômico) para as diferentes partes do planeta. Outros pontos considerados vantajosos da globalização é a maior difusão comercial e também de investimentos, entre diversos outros fatores.
É claro que o que pode ser considerado como vantagem ou desvantagem da globalização depende da abordagem realizada e também, de certa forma, da ideologia empregada em sua análise. Não é objetivo, portanto, deste texto entrar no mérito da discussão em dizer se esse processo é benéfico ou prejudicial para a sociedade e para o planeta.



Efeitos da Globalização

Existem vários elementos que podem ser considerados como consequências da globalização no mundo. Uma das evidências mais emblemáticas é a configuração do espaço geográfico internacional em redes, sejam elas de transporte, de comunicação, de cidades, de trocas comerciais ou de capitais especulativos. Elas formam-se por pontos fixos – sendo algumas mais preponderantes que outras – e pelos fluxos desenvolvidos entre esses diferentes pontos.
Outro aspecto que merece destaque é a expansão das empresas multinacionais, também chamadas de transnacionais ou empresas globais. Muitas delas abandonam seus países de origem ou, simplesmente, expandem suas atividades em direção aos mais diversos locais em busca de um maior mercado consumidor, de isenção de impostos, de evitar tarifas alfandegárias e de angariar um menor custo com mão de obra e matérias-primas. O processo de expansão dessas empresas globais e suas indústrias reverberou no avanço da industrialização e da urbanização em diversos países subdesenvolvidos e emergentes, incluindo o Brasil.
Outra dinâmica propiciada pelo avanço da globalização é a formação dos acordos regionais ou dos blocos econômicos. Embora essa ocorrência possa ser inicialmente considerada como um entrave à globalização, pois acordos regionais poderiam impedir uma global interação econômica, ela é fundamental no sentido de permitir uma maior troca comercial entre os diferentes países e também propiciar ações conjunturais em grupos.
Por fim, cabe ressaltar que o avanço da globalização culminou também na expansão e consolidação do sistema capitalista, além de permitir sua rápida transformação. Assim, com a maior integração mundial, o sistema liberal – ou neoliberal – ampliou-se consideravelmente na maior parte das políticas econômicas nacionais, difundindo-se a ideia de que o Estado deve apresentar uma mínima intervenção na economia.
A globalização é, portanto, um tema complexo, com incontáveis aspectos e características. Sua manifestação não pode ser considerada linear, de forma a ser mais ou menos intensa a depender da região onde ela se estabelece, ganhando novos contornos e características. Podemos dizer, assim, que o mundo vive uma ampla e caótica inter-relação entre o local e o global.


Por Me. Rodolfo Alves Pena

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Jogo da forca - Estados Brasileiros

Para jogar acesse o link abaixo:

Brincando com os termos da Geografia



Para brincar clique o link abaixo:









Micro-explosões

Embaixo de uma trovoada, a corrente de ar descendente talvez se localize assim que ela toca o solo e espalha-se horizontalmente em uma explosão de vento radial. Como por exemplo, semelhante a água correndo da torneira e atingindo a pia abaixo. Estas correntes de ar descendentes chamam-se micro-explosões quando os ventos estendem-se sòmente 4 quilômetros ou menos que isto. Apesar de ser bem pequeno, uma micro-explosão intensa pode induzir ventos devastadores que atingem 146 nós (270km/h).


A formação de uma frente de rajada acontece quando a micro-explosão atinge o solo e continua como um afluxo em expansão. Por isso, uma micro-explosão pode se desenvolver em uma frente de rajada.
Micro-explosões são capazes de arrancar árvores e danificar severamente estruturas fracas. Também, micro-explosões podem ser responsáveis por alguns danos que muitas vezes eram atribuidos aos tornados. Micro-explosões e seus acompanhantes cisalhamento de vento (mundanças rápidas em velocidade ou direção de vento) podem ser responsáveis por inúmeros acidentes de aeronaves. Quando uma aeronave voa através de uma micro-explosão, ela primeiro encontra um vento de frente que gera uma elevação extra. Contudo, em segundos o vento de frente é substituído por um vento de traseira que causa uma perda repentina de elevação na aeronave e subsequentemente uma queda na atuação da mesma. Em Abril de 1985, uma micro-explosão causou um acidente no aeroporto regional de Dallas-Forth Worth nos Estados Unidos. Assim que a aeronave chegava à aproximação final, encontrou uma severa tesoura de vento debaixo de uma trovoada pequena, porém, intensa. Então a aeronave caiu e explodiu numa bola de fogo. Mais de cem passageiros pereceram.

Micro-explosões podem ser associadas com trovoadas severas, produzindo ventos fortes causando muitos danos. Estudos mostram que micro-explosões também ocorrem com nuvens e trovoadas que produzem sòmente chuvas isoladas. Estas nuvens podem ou não conter trovões e raios.

sábado, 4 de junho de 2016

Rios aéreos ou rios voadores

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”,  formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Essa umidade, nas condições meteorológicas propícias como uma frente fria vinda do sul, por exemplo, se transforma em chuva. É essa ação de transporte de enormes quantidades de vapor de água pelas correntes aéreas que recebe o nome de rios voadores – um termo que descreve perfeitamente, mas em termos poéticos, um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas.

A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico e carregada pelos ventos alíseos. Ao seguir terra adentro, a umidade cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante.

Propelidos em direção ao oeste, os rios voadores (massas de ar) recarregados de umidade – boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta – encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Eles se precipitam parcialmente nas encostas leste da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. Porém, barrados pelo paredão de 4.000 metros de altura, os rios voadores, ainda transportando vapor de água, fazem a curva e partem em direção ao sul, rumo às regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e aos países vizinhos.



É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil se deve muito a um acidente geográfico localizado fora do país! A chuva, claro, é de suma importância para nossa vida, nosso bem-estar e para a economia do país. Ela irriga as lavouras, enche os rios terrestres e as represas que fornecem nossa energia.


Por incrível que pareça, a quantidade de vapor de água evaporada pelas árvores da floresta amazônica pode ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s), tudo isso graças aos serviços prestados da floresta.

Estudos promovidos pelo INPA já mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia – ou seja, mais que o dobro da água que um brasileiro usa diariamente! Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, por exemplo, pode evapotranspirar bem mais de 1.000 litros por dia. Estima-se que haja 600 bilhões de árvores na Amazônia: imagine então quanta água a floresta toda está bombeando a cada 24 horas!

nuvem de chuva no Alto Araguaia. Foto_ Margi Moss

Todas as previsões indicam alterações importantes no clima da América do Sul em decorrência da substituição de florestas por agricultura ou pastos. Ao avançar cada vez mais por dentro da floresta, o agronegócio pode dar um tiro no próprio pé com a eventual perda de chuva imprescindível para as plantações.

O Brasil tem uma posição privilegiada no que diz respeito aos recursos hídricos. Porém, com o aquecimento global e as mudanças climáticas que ameaçam alterar regimes de chuva em escala mundial, é hora de analisarmos melhor os serviços ambientais prestados pela floresta amazônica antes que seja tarde demais.



quinta-feira, 2 de junho de 2016

Resolução simulado - Geografia



Geekie, 2015

Falésia: Forma costeira abrupta esculpida por processos erosivos marinhos de alta energia. Ocorre no limite entre as formas continentais e a praia atual, em trechos de costas altas.

Restinga: Feição linear subparalela à linha de praia, formada pelo acúmulo de sedimentos decorrente da ação de processos marinhos. Ocorre nas planícies litorâneas que possam fornecer sedimentos arenosos.

IBGE. Manuais técnicos em geociências. Disponível em: geoftp.ibge.gov.br. Acesso em: 5 abr. 2015 (adaptado).

As formas de relevo descritas são identificadas, respectivamente, nas representações
a)
b)
c)
d)
e)



(Enem 2013) Disneylândia

Multinacionais japonesas instalam empresas em Honk-Kong E produzem com matéria-prima brasileira Para competir no mercado americano  [...] Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul [...] Crianças iraquianas fugidas da guerra Não obtêm visto no consulado americano do Egito Para entrarem na Disneylândia. 

Na canção, ressalta-se a coexistência, no contexto internacional atual, das seguintes situações: 
a) Acirramento do controle alfandegário e estímulo ao capital especulativo.
b) Ampliação das trocas econômicas e seletividade dos fluxos populacionais.
c) Intensificação do controle informacional e adoção de barreiras fitossanitárias.
d) Aumento da circulação mercantil e desregulamentação do sistema financeiro.
e) Expansão do protecionismo comercial e descaracterização de identidades nacionais.

Comentário:
O texto apresentado refere-se ao processo atual da globalização, que apresenta a ampliação das trocas econômicas e a seletividade dos fluxos populacionais.


Geekie, 2014

Texto I

Disputa no Mar da China aumenta tensão na Ásia

A região do Mar do Sul da China, onde se encontram as ilhas Spratly, Paracel e Scarborough Shoal, é disputada por sete países, e incidentes diplomáticos têm elevado a tensão na área.

A área em questão, no Mar do Sul da China, se estende por mais de 410 mil quilômetros quadrados e tem sua soberania disputada em diferentes trechos por China, Taiwan, Filipinas, Vietnã, Malásia, Indonésia e Brunei.

De acordo com a regulação internacional adotada pela ONU em 1982, UNCLOS, cada país tem uma área de 200 milhas náuticas de exclusividade econômica frente à costa, mas, por causa da proximidade entre eles, muitas vezes os limites se sobrepõem, causando disputas.

WENTZEL, M. Disputa no Mar da China aumenta tensão na Ásia. BBC. Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 8 nov. 2014.

Texto II

Mapa das reivindicações territoriais no Mar do Sul da China

Q&A: South China Sea dispute. BBC. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 8 nov. 2014 (adaptado).

Considerando-se as Zonas Econômicas Exclusivas, percebem-se controvérsias nas disputas territoriais entre

a) Filipinas e China, ao reivindicarem soberania sobre as ilhas Paracel.

b) Malásia e Vietnã, ao reivindicarem soberania sobre Scarborough Shoal.

c) Brunei e Indonésia, ao reivindicarem soberania sobre as ilhas Spratly.

d) Vietnã e Filipinas, ao reivindicarem soberania sobre Scarborough Shoal.

e) China e Vietnã, ao reivindicarem soberania sobre as ilhas Paracel.

Comentário:
A China acendeu alarmes na região quando uma petrolífera estatal posicionou uma plataforma exploratória mais ao norte no mar do Sul da China, ao lado das disputadas ilhas Paracel, perto do Vietnã. A plataforma suscitou desentendimentos diplomáticos e violentos protestos contra a China no Vietnã.


ENEM, 2013

Vida social sem internet?


A charge revela uma crítica aos meios de comunicação, em especial à internet, porque
a) questiona a integração das pessoas nas redes virtuais de relacionamento.
b) considera as relações sociais como menos importantes que as virtuais.
c) enaltece a pretensão do homem de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
d) descreve com precisão as sociedades humanas no mundo globalizado.
e) concebe a rede de computadores como o espaço mais eficaz para a construção de relações sociais.
Comentário:
Devido ao uso das redes sociais, muitas pessoas acabam deixando suas interações sociais do “mundo real” em segundo plano, pois a internet acaba promovendo conexão com um número maior de pessoas em tempo real e que estão em diferentes locais do planeta.

Enem - 2010
Observe a figura e responda a questão:
Muitos processos erosivos se concentram nas encostas, principalmente aqueles motivados pela água e pelo vento. No entanto, os reflexos também são sentidos nas áreas de baixada, onde geralmente há ocupação urbana.
Um exemplo desses reflexos na vida cotidiana de muitas cidades brasileiras é
Muitos processos erosivos se concentram nas encostas, principalmente aqueles motivados pela água e pelo vento. No entanto, os reflexos também são sentidos nas áreas de baixada, onde geralmente há ocupação urbana. Um exemplo desses reflexos na vida cotidiana de muitas cidades brasileiras é
a) a maior ocorrência de enchentes, já que os rios assoreados comportam menos água em seus leitos.
b) a contaminação da população pelos sedimentos trazidos pelo rio e carregados de matéria orgânica.
c) o desgaste do solo nas áreas urbanas, causado pela redução do escoamento superficial pluvial na encosta.
d) a maior facilidade de captação de água potável para o abastecimento público, já que é maior o efeito do escoamento sobre a infiltração.
e) o aumento da incidência de doenças como a amebíase na população urbana, em decorrência do escoamento de água poluída do topo das encostas.

Comentário:
Com a erosão pluvial das encostas devido, principalmente, ao processo de desmatamento, as áreas rebaixadas ao entorno sofrem as consequências. Quando há chuvas intensas, os sedimentos erodidos das encostas são levados para os rios nas partes mais baixas do relevo, assoreando esses rios, que acabam não comportando o volume de água adequado em seu leito.

Geekie, 2014
Em julho de 1944, nos Estados Unidos, representantes de 44 países reuniram-se para desenhar o panorama econômico mundial. Num cenário de fim de guerra e reconstrução posterior, procuram-se soluções para a falta de pagamentos internacionais e que mantivessem a dinâmica relação produção-consumo. Após diversas propostas, aprovaram o acordo de Bretton Woods, que introduzia as seguintes modificações: a) aceitação do dólar como moeda internacional e conversível em ouro (a libra esterlina foi usada por pouco tempo); b) conversibilidade das moedas nacionais entre si, a partir de uma paridade fixada em ouro ou em dólares; c) criação de instituições que sustentassem os acordos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, mais conhecido como Banco Mundial.

SERRA PADRÓS, E. Capitalismo, prosperidade e Estado de bem-estar social. In: REIS FILHO, D. A.; FERREIRA, J.; ZENHA, C. (Org.). O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000 (adaptado).

Estabelecida pelo acordo descrito, a reorganização da economia mundial teve como objetivos

a) evitar a repetição de crises e liberalizar o comércio.
b) promover a acumulação de metais e ampliar o crédito.
c) conter a expansão do socialismo e derrotar o fascismo.
d) estimular a atividade industrial e mecanizar a agricultura.
e) anistiar a dívida dos governos e combater o protecionismo.
Enem 2012
Na charge faz-se referência a uma modificação produtiva ocorrida na agricultura. Uma contradição presente no espaço rural brasileiro derivada dessa modificação produtiva está presente em:
a) Expansão das terras agricultáveis, com manutenção de desigualdades sociais.
b) Modernização técnica do território, com redução do nível de emprego formal.
c) Valorização de atividades de subsistência, com redução da produtividade da terra.
d) Desenvolvimento de núcleos policultores, com ampliação da concentração fundiária.
e) Melhora da qualidade dos produtos, com retração na exportação de produtos primários.

Comentário:
O Brasil apresenta uma grande contradição no seu espaço agrário. Enquanto ano após ano as safras batem recordes de produção, ainda há uma grande parcela da população com subnutrição. Os avanços na biotecnologia ajudaram na expansão das terras agricultáveis, mas não apagaram os problemas de desigualdade social no campo.












sábado, 21 de maio de 2016

BRICs


O que são os Brics?


Brics é uma sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que se destacaram no cenário mundial pelo rápido crescimento das suas economias em desenvolvimento. O acrônimo foi cunhado e proeminentemente usado pelo economista Jim O'Neill, chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs, em 2001.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, estes países não compõem um bloco econômico, apenas compartilham de uma situação econômica com índices de desenvolvimento e situações econômicas parecidas. Em Dezembro de 2010, a Bric convidou formalmente a África do Sul para se unir ao grupo. O convite foi feito por Yang Jiechi, que ocupa a Presidência rotatória do grupo. E a sigla ganhou um S, para África do Sul.


O crescimento dos Brics


O processo de desenvolvimento econômico dos Brics é crescente, e já vem influenciando algumas decisões mundiais como na reunião da OMC em 2005, quando os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, juntaram-se aos países subdesenvolvidos para impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Europeia e pelos Estados Unidos, e a redução das tarifas de importação.

Além disso, muito mais que possibilidades de crescimento, os Brics são vistos como um grupo com potencial para "mudar o mundo", seja pelas ameaças ou oportunidades que representam do ponto de vista econômico, social e político.

Muitas agências e analistas internacionais já estão de olho nos Brics , e começam a sugerir que os investidores prestem mais atenção às oportunidades apresentadas por estes países. Investimentos nas áreas produtivas e nas perspectivas atuais e futuras de seus mercados consumidores. Pois em termos demográficos, temos os dois países mais populosos do planeta e os outros dois de populações consideráveis. A China representa, sozinha, mais de um quinto da população mundial, seguida de perto pela Índia (17,5%) e, bem mais longe, pelo Brasil (2,9%) e pela Rússia (2,2%).

Segundo a análise da Goldman Sachs, uma vez que estão em rápido desenvolvimento, supõem-se que em 2050, o conjunto das economias dos Brics possa fazer sombra ao conjunto das economias dos países mais ricos do mundo atual. Afinal os quatro países juntos representam, atualmente, mais de um quarto da área terrestre do planeta, sendo 17 milhões de km2 da Rússia, 3,2 milhões de km2 da Índia, passando pelos 9,3 milhões de km2 da China e pelos 8,5 milhões de km2 do Brasil; além de 40% da população mundial.

O Goldman Sachs diz que os BRICs não se organizam em um bloco econômico ou uma associação de comércio formal, como ocorre no caso da União Europeia. Mas ele aponta fortes indícios de que "os quatro países do Bric têm procurado formar um "clube político" ou uma "aliança", e assim estão convertendo "seu crescente poder econômico em uma maior influência geopolítica." Em 16 de junho de 2009, os líderes dos países do Bric realizaram sua primeira reunião, em Ecaterimburgo, Rússia, e redigiram uma declaração pedindo pelo estabelecimento de uma ordem mundial multipolar.



Trajetória dos Brics

Nos últimos dois séculos a trajetória dos Brics foi desigual. Suas relações recíprocas nos últimos 50 anos foram laterais, podendo ser considerada uma exceção, a Rússia e a China, pois durante a fase da construção do socialismo em território chinês, as relações se estreitaram. Enquanto que no cenário da economia mundial dos últimos 20 anos, os Brics interagiram pouco, enquanto que entre os países do grupo houve uma maior interação.

Também devemos salientar que existem muitas diferenças entre os Brics . Podemos citar o exemplo da Rússia, Índia e China que são grandes potências militares, e sempre engajados em termos armamentistas. Bem diferente do Brasil, que nunca seguiu essa linha. Já a África do Sul teve um programa nuclear na década de 70, mas desmantelou o programa em 1991, após assinar Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Além disso dois membros do Brics, Rússia e China, são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Enquanto que os outros dois membros, Brasil e Índia, integram as Nações G4, cujo objetivo é ter um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A África do Sul foi um membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas entre 2007 e 2008, e gerou polêmica ao votar contra uma resolução criticando o governo de Myanmar em 2006 e contra a aplicação de sanções contra o Zimbabué, em 2008. Os Brics também diferem entre si, em outros quesitos como recursos naturais, graus de industrialização e capacidade de impacto na economia mundial.

domingo, 15 de maio de 2016

A Nasa descobre 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar – 9 habitáveis

A Nasa anunciou nesta terça-feira a descoberta de 1.284 novos planetas fora do Sistema Solar – é o maior conjunto de novos planetas já anunciado, de uma só vez, pela agência espacial. Eles foram vistos pelo telescópio espacial Kepler e, do total, 550 planetas podem ser rochosos, como a Terra, e nove deles estão em zona potencialmente habitável – ou seja, ficam a uma distância tal de suas estrelas que possibilitam a ocorrência de temperaturas ideais para que exista água líquida sobre a superfície, principal condição para o surgimento de vida. Com esses nove, atualmente são 21 os planetas potencialmente habitáveis já identificados no Universo – os melhores candidatos a uma “nova Terra”.

“Este anúncio mais do que duplica o número de exoplanetas descobertos pelo telescópio Kepler”, afirmou Ellen Stofan, cientista-chefe da agência espacial americana, em um comunicado. “Isso nos dá esperança de que em algum lugar lá fora, em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, poderemos, eventualmente, descobrir uma outra Terra.”

Candidatos a Terra – A análise foi publicada nesta terça-feira no periódico Astrophysical Journal e feita com 4.302 “candidatos a planeta”, nome que recebem os dados do telescópio que indicam a probabilidade da existência de um planeta orbitando uma estrela fora do Sistema Solar. Por meio de uma nova metodologia estatística, o astrofísico Timothy Morton, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, conseguiu analisar um grupo grande de candidatos de uma só vez.

Com o novo método, Morton verificou que 1.284 têm uma probabilidade maior que 99% de serem planetas, enquanto 1.327 requerem mais estudos para serem verificados como planetas. O estudo validou ainda 984 candidatos que já haviam sido verificados como planetas por outras técnicas e descartou a existência de 707 planetas, que devem ser algum outro tipo de evento astronômico.

Essas análises são possíveis porque o observatório espacial Kepler, lançado em 2009, monitora 150.000 estrelas em busca de sinais de planetas, particularmente aqueles que poderiam ser capazes de sustentar a vida. O instrumento capta o escurecimento da luz da estrela, conhecido como trânsito, cada vez que um planeta passa orbitando diante dela. É um evento semelhante ao trânsito de Mercúrio que pode ser observado nesta semana – o telescópio percebe a diminuição da luminosidade da estrela quando algum objeto passa por ela.

Dos cerca de 5.000 candidatos a planetas encontrados até agora, mais de 3.200 já foram verificados pelos cientistas – 2.325 deles foram descobertos pelo Kepler.
Fonte: Com informações da Veja

domingo, 8 de maio de 2016

Teste seus conhecimentos sobre os Biomas Brasileiros

Geografia - Biomas brasileiros


Veja como andam seus conhecimentos sobre as diversas paisagens do Brasil e suas características com esse simulado sobre os biomas brasileiros no link abaixo:
http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/simulados/geografia-biomas-brasileiros-685154.shtml

Poluição eletromagnética


Elas estão espalhadas na atmosfera e ninguém as vê, isso não quer dizer, no entanto, que as ondas eletromagnéticas sejam inofensivas. Emitida por equipamentos elétricos e eletrônicos, esse tipo de energia ocupa o espaço, atravessa qualquer tipo de matéria viva ou inorgânica e produz uma poluição imperceptível, capaz de influenciar o comportamento celular do organismo humano.
O uso da energia elétrica e eletromagnética tornou-se tão arraigado no cotidiano das grandes cidades, que já não é possível se privar do contato com elas. Além dos telefones celulares, os aparelhos eletrodomésticos e as linhas de alta tensão estão por toda parte. “Vivemos em um micro-ondas gigante”, diz o cientista, pesquisador do Sistema Integrado da Terra, ­ filósofo noosférico e engenheiro de sistemas de teleautomação Boris Petrovic, ao alertar sobre o impacto da presença dos campos e das radiações eletromagnéticas.
Petrovic explica que o corpo humano não foi preparado para lidar com as interferências das radiações e dos campos eletromagnéticos. O engenheiro esclarece que tanto os celulares quanto qualquer outro tipo de comunicação sem ­ o – como Wi-­fi e bluetooth – utilizam ondas de radiofrequência para transmitir dados ou voz. Essas ondas são de comprimento muito baixo e são chamadas de micro-ondas. Essa tecnologia é a mesma dos fornos de micro-ondas, usados para aquecer alimentos por atrito das moléculas de água.
O enfraquecimento do sistema imunológico, segundo o engenheiro, é a consequência mais grave da poluição eletromagnética. O efeito nocivo ocorre quando o campo elétrico dessas tecnologias interfere na bioeletricidade natural do corpo humano. Boris explica que os sintomas variam de dores de cabeça e irritabilidade a diversos tipos de câncer. “As consequências são mais evidentes em pessoas que apresentam eletrossensibilidade, mas, por ser de natureza cumulativa, esse tipo de poluição afeta a todos”, explica o pesquisador.



AS ANTENAS E AS MORTES POR CÂNCER
Um estudo referência no mundo foi realizado em Belo Horizonte, pela professora da faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais Adilza Dode. A tese de doutorado de Adilza evidencia mortes por câncer ao redor de antenas de telefonia celular na capital mineira. Analisando dados entre 1996 e 2006, a pesquisadora estudou 5 mil casos de morte por câncer e constatou que mais de 80% das vítimas moravam a uma distância de até 500 metros das antenas.
Segundo Adilza, os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação Federal de maio de 2009. “Até hoje, ninguém sabe quais são os limites de uso inócuos à saúde. Os padrões adotados pelo Brasil são inadequados. Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da e­ ciência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, assegura.
"Há mais de dez anos, surgem apelos da comunidade científi­ca para conscientização dos riscos da poluição eletromagnética"


OMS RECOMENDA A REDUÇÃO DE USO
Em 2010, a Food and Drug Administration (FDA), órgão de saúde dos Estados Unidos, divulgou um comunicado a­firmando que, apesar do aumento drástico no uso de telefone celular, as ocorrências de câncer no cérebro não aumentaram entre 1987 e 2005.
Diante da insegurança acerca dos impactos, em 2011, a Organização Mundial da Saúde divulgou um documento no qual classi­fica a radiação eletromagnética como “potencialmente cancerígena” e recomenda a redução das emissões “tanto quanto possível”. ‑
Quatro anos antes, o grupo de trabalho criado pela OMS para discutir o assunto publicou um documento no qual lista recomendações sobre exposições de curto até longo prazo. Para longo prazo, as indicações são de que o governo e a indústria devem monitorar a ciência e promover programas de pesquisa para desenvolver mais evidências sobre o tema. Segundo a OMS, há lacunas no conhecimento do assunto. A publicação ainda recomenda que, quando construídas novas instalações e projetados novos equipamentos, formas de baixo custo para a redução de campos devem ser exploradas.
Em relação a exposições de curto prazo, recomendações internacionais de exposição foram desenvolvidas para proteger os trabalhadores e o público contra estes efeitos e devem ser adotadas pelos responsáveis pelo desenvolvimento de políticas. Programas de proteção contra a poluição eletromagnética devem incluir medicação de exposição a fontes que excedam os valores-limite recomendados.


CIENTISTAS QUESTIONAM PARÂMETROS
Há mais de dez anos, surgem apelos da comunidade científica para conscientização dos riscos da poluição eletromagnética. O Painel Cientí­fico de Seletun (2011), organizado em Oslo, na Noruega, contou com a participação de cientistas de cinco países e teve como resultado uma série de recomendações para os governos. Entre outras conclusões, o Painel descon­fia dos parâmetros de exposição tidos como seguros pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes (Icnirp) e usados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O Painel estabelece em 0,1 μT (MicroTesla – unidade usada para medir campos magnéticos) como limite de exposição no período de 24 horas. Dessa forma, o recomendado passa a ser 1 mil a 10 mil vezes menor do que o atual. De acordo com os cientistas, os números da Icnirp foram de­finidos pelo olhar da tecnologia e redução de custos, sem ter como base estudos do impacto na saúde humana e no ambiente.
Após tomar conhecimento dos malefícios da exposição contínua a campos eletromagnéticos, um grupo de moradores do Alto de Pinheiros, localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, moveu uma ação judicial contra a empresa AES Eletropaulo.

Edgar Melo

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Falha de San Andreas

A terra treme e os arranha-céus do distrito financeiro de Los Angeles desmoronam, prendendo milhares sob os escombros.

Um tsunami de proporções bíblicas adentra a baía de São Francisco, engolindo, por sua vez, a famosa ponte Golden Gate, antes de arrasar a cidade californiana.
Esses são dois dos cenários terríveis que mostram o filme catástrofe Terremoto - A Falha de San Andreas (2015).

Seu roteiro gira em torno das consequências devastadoras de um terremoto na falha que dá nome ao filme e traz caos e destruição à costa oeste americana.

A premissa é projetada para agradar os amantes do cinema de desastre, mas, quando se trata de terremotos, a linha que separa realidade e ficção é muito tênue.

Em declarações citadas no jornal Los Angeles Times, cientistas advertiram na Conferência Nacional sobre Terremotos, realizada na cidade californiana de Long Beach, que a seção sul da falha de San Andreas está "carregada e pronta" para provocar um grande terremoto.

Um terremoto na seção sul da falha de San Andreas teria um impacto direto em Los Angeles

O trecho sul

A falha de San Andreas, que atravessa a Califórnia de norte a sul ao longo de 1,3 mil quilômetros e delimita a parte norte-americana da placa do Pacífico, é uma das mais estudadas no mundo, uma vez que está quase inteiramente na superfície da terra.

Ela foi a causa do devastador terremoto de magnitude 7,8 que destruiu grande parte de São Francisco em 1906, matando mais de 3 mil pessoas.

Embora a premissa extrema de Terremoto seja mais ficção científica do que cenário real, o fato é que o blockbuster foi um lembrete de que, mais cedo ou mais tarde, a falha voltará a afetar as mais de 38 milhões de pessoas que vivem em suas imediações precisam estar preparadas.

O que mais preocupa os cientistas é a seção sul da falha, que não produz um terremoto há cerca de 300 anos, embora os registros geológicos indiquem que ela causaria um grande terremoto a cada 150 anos.

Estimativas mais conservadoras apontam que, se houvesse um terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter nessa seção - o que teria um impacto direto em Los Angeles, a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos -, cerca de 2 mil pessoas morreriam e haveria mais de 50 mil feridos Os danos materiais superariam os US$ 200 bilhões.

"A informação com que nós, cientistas, trabalhamos indica que o extremo sul da falha de San Andreas é onde é mais provável que se produza um grande terremoto nos próximos 30 anos", disse Jennifer Andrews, sismólogo o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), à BBC Mundo.

De acordo com Andrews, "a parte do meio da falha quebrou cerca de 160 anos atrás e a parte norte, em 1906, provocando os tremores de terra em São Francisco".

"A parte sul da falha não se rompeu em três séculos e sabemos que durante este tempo a tensão tem se acumulado."

Grande impacto

A especialista observa que "no passado, os terremotos na Califórnia tiveram impacto limitado, porque a densidade da população desse território era muito baixa."

"Hoje as coisas seriam muito diferentes porque em áreas como no sul da Califórnia vivem milhões de pessoas."

"O impacto de grandes terremotos seria importante. Ele iria destruir muitos prédios e causaria a perda de serviços básicos como água, eletricidade ou transporte."

"Nas últimas décadas, tem-se trabalhado para fazer uma cidade como Los Angeles mais segura para enfrentar um grande terremoto, mas há muitos edifícios que foram construídos antes da década de 70, quando os novos regulamentos sísmicos foram introduzidos."

Andrews também assinala que no sul da Califórnia há mais de 300 falhas e há temores de que um grande terremoto na de San Andreas faça com que as outras se quebrem também, causando danos ainda maiores.

Ela acredita que filmes como Terremoto servem para lembrar os moradores da costa oeste dos Estados Unidos que se trata de uma área de alta atividade sísmica "e, por isso, eles devem estar preparados para a inevitabilidade de um terremoto."

Os últimos grandes sismos que abalaram a Califórnia foram o de Northridge (6,7 graus) em 1994, que deixou 57 mortos na área de Los Angeles, e o de Loma Prieta (6,9 graus), que tirou a vida de 67 pessoas em San Francisco, em 1989.

Esse último fez com que no norte da Califórnia fossem introduzidas novas regulamentações, obrigando o reforço de estruturas construídas com concreto armado, muitas das quais abrigavam escolas e hospitais.

Mas foi só no final de 2014 que a prefeitura de Los Angeles propôs um regulamento semelhante, o que implicaria um investimento de centenas de milhões de dólares para adequar sua infraestrutura.

Todos os anos, os californianos participam de treinamentos para caso de terremoto

Sistema de alerta

Para os especialistas, agora é essencial que as autoridades levem a sério o desenvolvimento de um sistema antecipado de alerta de terremotos.

O sistema, que há anos já foi instalado com sucesso em países como Japão e México - e que na Califórnia tem como desafio a ausência de verbas -, consiste em uma rede de sensores que detectam o início de um terremoto com até 40 segundos antecedência, o que ajudaria a alertar as autoridades e a população.

"Infelizmente neste país muitas vezes a vontade de melhorar as coisas só vem depois de um desastre", disse à BBC Peggy Hellweg, chefe de operações do Laboratório Sismológico Berkeley, no norte da Califórnia.

"Um sistema de alerta precoce seria muito útil. Ele seria capaz de parar trens para evitar descarrilamento e o tráfego de carros nas pontes. Poderia alertar os hospitais. Também avisaria as pessoas para que pudessem se proteger, ficando sob uma mesa ou, se houvesse tempo suficiente, saísse dos edifícios", disse o especialista.

O terremoto de 7,8 graus que destruiu grande parte de São Francisco em 1906 matou mais de 3.000 pessoas

De acordo com Hellweg, os sismólogos na Califórnia realizam suas pesquisas com poucos recursos e, para que pudessem fazer bem o seu trabalho, "teriam que investir muito mais dinheiro".

"Nossos sistemas de alerta de terremoto deveriam ser melhores. Não temos sensores em todos os lugares onde eles são necessários. Não temos uma infraestrutura robusta."

Hellweg acredita que há partes do sistema de prevenção de terremotos que estão funcionando moderadamente na Califórnia, mas outras nem tanto.

"Os serviços de emergência - pessoas que respondem aos desastres naturais, como os bombeiros ou a polícia - estão relativamente bem preparados. Aqueles que não estão preparados são os cidadãos e as empresas", disse o especialista, que atribui isso ao fato de que há tempos não ocorre um grande terremoto na Califórnia - "o que tornou as pessoas complacentes".
BBC Brasil